Embora o título nos remeta a inicialmente a manifestação de uma reação, a ironia, que é fruto de um sentimento: a indignação. Não abordaremos o tocante a subjetividade, pois foge ao nosso propósito. O foco em questão é a razão, os motivos, os fatos. Estes são irrefutáveis, invariaveis e legítimos.
Observemos que na charge o uso da 1ª pessoa é elemento comum a todas as falas. Ora o que demonstra o interesse particular sendo colocado como motivador para ações deliberadas de corrupção, desvios e abusos. Outros fatores que implicam no status político brasileiro são: A aceitação da dominação pacífica e exploração, a tolerância à corrupição e estabelecimento de um ciclo vicioso como fruto de uma alienação política - que nos coloca no centro da discussão, como coautores de um sistema político falido.
Sei, caro leitor, que o que exponho não se traduz em novidade. Afinal de contas, de maneira doutrinária, temos, você e eu, ouvido que desde o Brasil Colônia estamos no foco da exploração de classe ou povos dominantes. Nos acostumamos ou em nós foi implatada a idéia de que transformações, mudanças, melhorias não vão acontecer, são utopias sociais...(Porém, como prometemos, não falaremos de coisas subjetivas, ok?!)
Fato curioso é que a estratégia de dominação e exploração ainda é a mesma...Os nativos que se achavam em solo brasileiro na época do "descobrimento" foram ludibriados com espelhos, pentes entre outros artigos. Nós, depois de 509 anos, somos iludidos por "bolsas" das mais diversas que sucitam em nós uma espécie de gratidão,pois "alguém" se compadeceu de nossa situação... Será? O que está nos bastidores do poder é bem mais do que é mostrado em publicidade eleitoral.
O índice de desenvolvimento humano brasileiro reflete isso, estamos na 75ª posição atrás de países como: Venezuela, Chile, Argentina, Uruguai. Com índices menores que o México, Panamá e Cuba e os elementos que compõe a fórmula do IDH são: Educação, expectativa de vida e PIB - não estamos bem nesse ranking e tudo depende de alencar as prioridades certas. Atualmente temos programas de alto impacto político e e baixo efeito social.
O que me chama atenção é como se dá essa "sutil" dominação política. Ou você ainda não se apercebeu que uma grande parcela de nossos políticos estão no poder, ainda que com nosso voto, em uma espécie de momarquia pós-moderna... A coisa passa de pai para filho. São famílias inteiras envolvidas na gestão pública e os novos candidatos que se apresentam a cada eleição na realidade fazem parte da prole de um político velho que já está no fim da carreira. Atenção, nossa resposta a isso não pode ser a inércia!
Se configura em pesquisa que a tolerância a atos de corrupção acontece em decorrência a baixa escolaridade. O livro: A cabeça do brasileiro, do sociólogo Alberto Carlos Almeida mostra os valores enrraizados da sociedade brasileira, dentre os quais se detacam: 30% dos brasileiro aceita com naturalidade ganhos de presentes sendo interpretada como "favor" a quem de posse de cargo público favorecer o fechamento de contrato entre o governo e empresa privada; 17% concorda que alguém eleito para cargo político poderá usá-lo para benefício proprio. Destacamos que este índice aumenta chegando a 57% entre os analfabetos. Situação alarmante, não?!
Logo, é estabelecido um ciclo vicioso o qual alimentamos em detrimento a nossa longanimidade. Se trata de uma sequência simples: Pessoas que já estavam no poder ou sua prole + tolerância a atos de corrupção = Mais corrupção e desvio de recursos públicos!
Salientamos, porém que a tolerância a corrupção não atinge apenas a esfera de gestão de recursos públicos é um sintôma de atinge todas esferas sociais. É um problema que encontra raízes na Falta de ética!
Bem, agora chegamos ao "x" da questão: A alienação política, e essa coloca cada cidadão em posição de destaque. Pois a alienação política é a incapacidadede um povo se orientar politicamente, conforme seus próprios interesses; desinteresse total de fatos políticos. Em sua forma mais grave recusa a decidir o próprio destino, de raciocinar e de traçar projetos. Uma vez que não são raros comentários do tipo: "Não discuto política, são todos ladrões!" ou "Não entendo nada sobre esse assunto, mas também não interessa muito... Não vou me candidatar mesmo."
Essas expressões demonstram uma contribuição de nossa parte para que abusos continuem a ocorrer. Nossa omissão não há de resolver o problema, pelo contrário, tende a agravá-lo.
Formalmente, o Brasil é um país de organização política democrática, onde os cidadãos decidem sobreranamente seus destinos. Seu fundamento é o sufrágio universal que é disputado livremente pelos partidos políticos em igualdade de condições. Portanto, façamos uso dessa democrácia e de fato decidamos soberanamente os rumos de nossa nação.
É necessário sim que discutamos política nos mais variados lugares e com públicos distintos. É importante sim que estudemos o assunto que tenhamos posições claras e principalmente que o conformismo dê lugar ao compromisso, do contrário aceitaremos com muita naturalidade "o crime nosso de cada dia" e contribuiremos com a falencia de nosso sistema político que por essência é bom.

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